Aqui estou eu, quase três anos do curso concluídos e uma montanha de expectativas alheias sobre meus ombros, um poeta favorito que me deixou um mundo ainda cheio de verdades pra contar e o sonho de apertar as mãos de um sujeito que, apesar de admirar, tenho medo. Pra olhar cara a cara e perguntar: Você estrutura seu texto em parágrafos e os escreve separadamente como eu? Revisa e refaz o começo todas as vezes sempre achando que falta melhorar algo ou é do jeito que imagino dando bananas para todas essas regrinhas formais de estruturação de texto e blá blá blá?

Me conta aqui, também tem receio a respeito das reações que suas palavras agrupadas, tão despretensiosamente, provocarão? 
Quero saber, eu não aceito ser assim! Vontade mesmo eu tinha era de escrever romances, aos montes! "Leva aí, quem quer!" Ser aquele que simplesmente escreve, sem se preocupar muito com os termos e essa coisa boba de coesão ou coerência, que é pra história fluir melhor, sem esses detalhes em que ninguém repara. Mas essa audácia ainda não tenho, confesso que essa coragem é o que me falta, ensaio minhas histórias e meus personagens em cada pequeno conto e confesso, vaidosamente, que conquisto mais leitores do que pretendo. E talvez esse seja o sinal.

Vai ver não é nada como eu penso e estou pecando feio ao romantizar esse processo de escrita imaginando sempre uma caneca de café ao lado e uma música instrumental ao fundo, logo eu, que tenho escrito cada vez mais ao som de Taylor Swift e me torturado com uma caneca cheia d'água ao lado que é pra dar credibilidade ao processo. Talvez meu erro esteja aí.

Vontade mesmo eu tinha era de libertar minhas palavras, acabar com essa maldição que é achar que o texto está clichê ou modernoso demais, de descobrir minha escrita, de seguir o que o Manoel declarou tão abertamente sobre torcer as palavras como eu quiser e não ser retorcida por elas. Afinal, se eu não fizer, quem fará por mim? Quero olhar aquela gota de chuva dormindo na folha e chamar de lágrima, ninguém ia me impedir. Dizer o que quiser sobre mim mesma e mentir meu nome, de repente eu sou Laura, Catharina, Maria, Clara, Joaquina ou qualquer uma. Quem me negará o direito de ser outra? De me reescrever e intitular como quiser? Ser uma poesia mal escrita que de tanto inovar acaba por se perder do significado principal? Quem me negará?

Só quero estar bem longe de ser esse dicionário ambulante que chega nas rodas de conversas pra inibir e podar aquele bate-papo descontraído da galera. Não ser aquela que abandona os escritores "água-com-açúcar" só por ele não ser bem visto pelos colegas. Ou amarrar tão bem um texto a ponto de o nó principal ficar tão apertado que deixa de existir. 
Quero saber quem me negará, com esses três anos de experiência ou com nenhum, o direito de ser grande coisa ou ser eu mesma.



8 Comentários

  1. Bravo, realmente fantástico, sonho em escrever livros um dia e colocar todas minhas ideias no papel, adorei o blog, estou te seguindo, bjos.

    yuugracindo.blogspot.com/

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    1. Fico feliz que tenha gostado, Yuu.
      Obrigada! :)

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  2. Apesar de um pouco da essência da escrita que nossos cursos nos direciona seja meio diferente, jornalismo e letras, eu me vi nessas linhas que você escreveu, que para mim, beiravam a revolta. Dri eles afunilam tanto nossas palavras e nossas ideias lá, tudo tem que ser objetivo, direto, não pode repetir palavra, não pode enfeitar palavra, o primeiro parágrafo tem que ter no máximo 4 linhas, trazer somente a ideia principal, os textos para tv devem ter 10 palavras por frase!!!!!! Veja só! Para mim é quase como tirar as pétalas de uma flor. Por isso eu até ri um pouco ao te ver desabafar. É assim mesmo, as vezes eu só quero escrever um texto com mil linhas no primeiro parágrafo trazendo todas as ideias que eu quero e depois partir para a conclusão, as vezes quero só me perder na subjetividade e descrever um sentimento em 100.000.000 palavras, as vezes quero enrolar e rebuscar as palavras só para esgotar meu dicionário limitado, as vezes eu só quero escrever algo sem sentido para o mundo, mas que para mim aquilo faz todo sentido do mundo.
    Talvez nem isso que eu escrevi faça sentido kkkkk.
    Mas como sempre você descreve tudo perfeitamente, amei.
    Beijos

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    1. Sabe que quis fazer jornalismo antes de fazer letras, não é?
      Agora que falou sobre tudo isso fiquei imaginando a angústia que vocês passam ao reduzir toda uma história (que muitas vezes, tenho certeza, conquistam vocês) a poucas palavras; acho que me sentiria ainda mais presa. Adoro adjetivar as coisas e quase sempre uso mais de um (3, normalmente, pode reparar) para uma mesma coisa/pessoa, além de gostar do efeito da repetição. Seria realmente um exercício escrever algo sucinto.
      Acho que o problema maior no caso da gente é que quando você trabalha com outras coisas e tem os textos por hobbie as coisas são mais fáceis, aquilo é seu hobbie e ninguém pode colocar defeito nenhum em sua diversão, mas quando você trabalha com isso é uma cobrança tão grande, mesmo que não seja intencional se uma pessoa sabe que você trabalha com as palavras ela te lê com outros olhos...
      Pra mim o que você disse faz todo sentido, entendo mesmo o que quis dizer.

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  3. Sinto dizer, mas os seus adjetivos seriam aniquilados lá, adjetivo passa longe de texto jornalístico, opinião? Só se for editorial! Uma vez eu fiz uma entrevista com um delegado, transcrita e com a introdução deu 4 páginas, na hora reduziram tudo a uma só, 1 página, tanto sufoco, dificuldade e criatividade reduzidos a 1 página. Viu o sufoco? kkkk
    Mas como vc disse no nosso hobbie a regra é nossa diversão, pelo menos lá né.

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    1. Imagino, não tenho muito problema em sintetizar, o problema é deixar o texto pelado, ahahahah
      Pelo menos a gente se diverte :)

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  4. E muitas vezes, o processo de criação vem apenas da dor, de noites sem banho e sem dormir.
    A Bela, não a Fera está passando por reforma, enquanto isso acesse
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    1. Verdade, muitas vezes são de noites em que você não consegue sem antes escrever aquelas palavras...

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