Olá, leitores. Tudo bem com vocês?

A resenha que trarei hoje é do livro Inverso da autora Karen Alvares. Um maravilhoso Young Adult que me conquistou totalmente e entrou para a lista dos meus cinco livros preferidos, sem a menor culpa de deixar outros de fora, dessa vez. Por gostar tanto essa resenha acabou morando nos rascunhos do blog por mais de uma semana, desde o dia em que terminei de ler o livro. Eu simplesmente não achava que conseguiria trazer uma resenha satisfatória de um livro que gostei tanto - e ainda não acho - mas vou tentar trazer todas as emoções que senti lendo-o e mostrar um pouco das personagens que tanto me conquistaram, mas antes de começar a falar sobre o livro, propriamente dito, gostaria de pontuar que minhas expectativas estavam extremamente altas com relação ao livro, depois dos vários contos da Karen que eu havia lido e aflorado um lado meu faminto por terror, que antes eu não conhecia, e que ansiava por muito mais do que aqueles tantos contos poderiam me dar. Gostaria de ler uma história profunda. Queria conhecer os personagens, sentir suas emoções e descobrir os segredos de seus passados que os conduziram até o momento em que sempre encontro com eles no clímax das situações que são julgadas como merecedoras de serem pintadas naquelas poucas páginas dos contos. E foi exatamente isso que "ganhei" em Inverso, uma escrita profunda, metafórica e duas vezes mais aterrorizante.
Vamos lá?



E se do outro lado do espelho estivesse a vida que você sempre desejou? 
Lá no fundo, Megan não quer ser quem é e nem viver essa vida triste, exatamente o inverso daquela que sempre sonhou para si. Tudo começa com a morte de sua mãe. A sensação terrível de que algo nunca mais vai ser como antes. E não será mesmo. O seu único alento é o carinho da irmã, que a vê como o que gostaria de ser quando crescer.
Mas há um novo mundo do outro lado dos espelhos. Um mundo igual ao seu, só que ao contrário. Um mundo perfeito onde as pessoas que morreram estão vivas e Megan é exatamente a garota que deveria ser.
Entrando nessa realidade pelo avesso, Megan começa uma perigosa busca por si mesma onde o reflexo de tudo que há de ruim tentará detê-la. Enquanto segue em frente ela deverá garantir a segurança das pessoas que mais ama.
Inverso é um romance cheio de suspense de Karen Alvares, autora de Alameda dos Pesadelos. Em um labirinto de escolhas sem poder sequer distinguir a própria imagem, Megan deverá lidar com a perda enquanto descobre quem é a garota que a encara no espelho.

Escrevo essa resenha ainda confusa com relação ao que estou sentindo pelo livro, especificamente pelo seu final. Não, não é o tipo de confusão que uma conclusão rasa provoca, é  mais como uma sensação que já é um pouco familiar mas que não deixa de ser esquisita, uma sensação de continuidade. Explicando melhor, ao longo de minha "vida leitora", tive o imenso prazer de me apaixonar, sentir saudades e até mesmo odiar alguns personagens que passaram por mim através de diversos livros e autores; sensações essas causadas pelo meu envolvimento exagerado (ou justo?) em algumas situações como uma expectadora rebelde que não se contenta com a tarefa de apenas assistir que lhe é reservada.  Com certeza a maioria dos leitores se identifica com essa sensação que descrevo: um incômodo que só é suavizado quando começamos a debater com as outras pessoas a respeito de nossas inquietações e acabamos, por falta de opções, criando nossas próprias teorias sobre a história ou mesmo reescrevendo finais, afinal, quem é mais íntimo dos personagens do que o leitor que sopra o ar nos pulmões das até então inanimadas figuras do papel? Sem entrar aqui em discussões sobre os papéis de autor e leitor, que em minha concepção diferem um bocado, uma vez que um dá as condições perfeitas mas é o segundo que faz o vôo realmente acontecer, eu gostaria mesmo era de pontuar o tamanho da agitação que o livro provocou em mim, e qual a melhor maneira de falar sobre a reação que ele me causou que não falando do ponto que mais me provocou?

Então voltando ao ponto inicial, que na realidade é o final do livro, a tal característica de continuidade que está presente em cada uma daquelas palavras (não-)finais, me fizeram ansiar por um segundo livro imediatamente. Já me encontrei nesse mesmo lugar outras vezes, quando a continuidade nascia através de finais inconclusivos ou "abertos" demais, mas nesse caso se deu pelo que eu gostaria de chamar de "não final" (pois aguardo ansiosamente a continuação da história) que acabou tornando o livro ainda mais avassalador.

Pra começar a falar sobre a história: ESPELHO!
Eu já havia dito por aqui que a autora gosta bastante de jogar com eles, não é? Bom, em Inverso, como a sinopse mostra um pouco, ele tem o destaque principal e funciona como portal entre dois mundos completamente contrários, como limite entre bem e mal ou, mais certeiramente, como divisor  entre um mundo real doloroso mas com pessoas que se importam e um mundo ideal onde sua vida é aparentemente perfeita mas onde você não tem controle sobre suas próprias ações e pior: onde você não é mais você.

O livro conta a história de Megan, uma adolescente de 14 anos que foi obrigada a amadurecer ainda bem nova devido a doença de sua mãe, que lhe levou a cuidar não só desta como também da irmã mais nova e, por extensão, do pai. Após a morte da mãe a relação entre eles se estreita ainda mais e Megan acaba "tomando o lugar da mãe" nas decisões que antes só cabiam aos pais;  isso apesar de lhe incomodar nos mostra desde o início a confiança que Renato deposita nela. Na escola Megan é a garota não popular meio esquisita e que é perseguida pela professora mas em sua vida de adolescente não-popular ela, felizmente, conta com a amizade de Daniel, seu melhor amigo-vizinho-nerd-comilão-super fofo (o último adjetivo eu que dei, tá?) que a ajudou a atravessar a fase mais difícil de sua vida e é quem a ajuda ainda que de forma indireta na aventura narrada no livro, mesmo esta sendo muito íntima. Ao longo do livro Megan admite, muitas vezes, que gosta de Daniel muito mais do que dá a entender e, apesar de a história não ser do tipo "sou mocinha, preciso ser salva" é também o carinho que tem por Daniel que a ajuda a suportar a vida quando está sem o controle das próprias ações por não estar no que aqui chamamos de mundo real.

Conhecemos Megan, sua irmã Mina e seu pai Renato nesse mundo, quatro anos depois da morte da mãe, no momento em que estão para se mudar para um apartamento e são obrigados a se desfazer das coisas dela, que até então não haviam sido mexidas. Esse momento de mudança ou talvez as descobertas que Megan faz no quarto dos pais ou mesmo seu profundo desejo de que a mãe esteja viva tornam possível a visão de um mundo ideal que ela até então desconhecia. O problema que dá origem à história começa quando, mais do que metaforicamente, em dado momento da história Megan passa a enxergar no espelho esse mundo que tanto desejou que existisse e a garota que seria se as coisas não tivesse acontecido como aconteceram em sua vida. A situação foge de controle quando a protagonista é "sugada" para essa realidade e, apesar de nesse mundo não possuir o controle (pelo menos não total) do seu corpo, Megan se sente tentada a ficar para sempre ali seduzida pela ideia de não precisar ser tão responsável por tudo sempre.

Outro ponto que merece destaque, provoca uma grande aflição e que não poderia deixar de apontar na resenha é que a interação entre esses dois mundos e o controle que Megan possui sobre essa outra realidade é representado através do elemento água, outra marca das histórias da autora. O controle nos é descrito como o "estar na superfície", enquanto a falta dele é como estar submerso em um canto; e o esforço para recuperá-lo é uma espécie de luta aquática da qual nem sempre Megan sai vencedora.

E assim, entre os conflitos físicos e emocionais e as realidades distintas que a protagonista é obrigada a encarar, começamos a questionar se a vida no espelho seria mesmo o inverso ou seria apenas uma realidade paralela existente por conta de um desejo profundo da envolvida; é claro que o mundo ideal não é a maravilha que a personagem imaginava mas ainda assim é algo que ela sempre quis. Megan tem então a possibilidade de permanecer ali ou voltar para o mundo real e essa escolha só pode ser feita por ela. O que você acha que ela escolhe? O que você escolheria?
Bom, qualquer que seja a resposta, depois de ler Inverso, você nunca mais terá mesmo certeza sobre o desejo de ter uma vida (aparentemente) perfeita, assim como nunca mais encarará o espelho da mesma forma, sem esperar seus próprios olhos piscarem pra você de volta...


Avaliação: 

Compre Inverso: 
Edição Física: Editora Draco | Livraria Cultura | Amazon 
Em Ebook: Amazon Kobo Apple | Saraiva Livraria Cultura |Livraria da Travessa | Google 


12 Comentários

  1. Nossaaaa Adriana!!! Que resenha hen!!!! Só me fez ficar mais empolgada, pois eu já comprei o meu e ele tá chegando... hehehehehe...

    livros terapias / Sorteio de Fim de ano

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    1. Oi, Laila!
      Tenho certeza de que vai adorar! <3

      Um beijo!

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  2. Esse livro é bom demais! Louca pela continuação dele!

    >> Vida Complicada <<

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    1. Também estou doida para ler a continuação <3 <3

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  3. Olá :)
    Que livro é esse? Eu nunca tinha ouvido falar, mas já quero pra ontem! Sério, a história tem tudo para ser perfeita, com a sua opinião que ele entrou pros seus favoritos me deixou ainda mais animada.
    Adorei conhecer seu blog!
    Beijos,

    http://livrosentretenimento.blogspot.com.br/

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    1. Olá, Livros & Entretenimento!
      O livro é mesmo maravilhoso, se você ler tenho certeza de que irá gostar :)
      Obrigada :D

      Um beijo!

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  4. Dri, me identifiquei com esses seus vários sentimentos, desde o não saber ser capaz de escrever uma resenha boa o suficiente à confusão de sentimentos e julgamentos no final do livro. Assim que você mencionou a palavra "espelho" vc ganhou minha total atenção, eu gosto de explorar esses elementos sobrenaturais e o espelho, assim como a água, sempre estão presentes como portais para "coisas" entrarem ou saírem. Ainda tem essa questão de a personagem ter que fazer um escolha tão difícil que sempre me deixa em agonia, parece que esse livro tá querendo ir para minha lista!
    Arrasou na resenha, acredito que conseguiu expressar bem o que ta sentindo e não poderia ter ficado melhor!
    Beijos :)

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    1. Que bom que gostou, Babí!
      A Karen sempre brinca com esses dois elementos e o faz maravilhosamente, a gente consegue sentir a densidade de tudo e se sente mesmo lá, não dá nem pra explicar...
      Acho que o livro não está querendo não, ele entrou pra sua lista, ahahahahha <3

      Um beijo!

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  5. Oi Adriana!
    Não conhecia esse livro ainda, mas pela sua empolgação na resenha deve ser ótimo mesmo. Ainda mais que esse negócio de outro lado do espelho é uma coisa na qual eu pensava muito quando era criança.

    Feliz 2016!
    Beijos,
    Sora - Meu Jardim de Livros

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    1. O livro é muito bom mesmo, isso do espelho é uma marca da autora que acho genial, ela brinca com esse elemento de um jeito que nos eixa realmente aterrorizados, sabe?

      Feliz ano novo pra você também!
      Um beijo!

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  6. Já ouvi falar muito bem desse livro, não vejo a hora de poder ler. Ele tá na minha wishlist desde o ano passado hahaha

    Beijos,
    Natália.
    www.doprefacioaoepilogo.blogspot.com.br

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    1. Oi, Natália!
      E tem toda razão de ser bem falado <3 <3
      Vê se lê esse ano, shuahuash
      Não vai se arrepender!

      Um beijo!

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