Oi, gente. Tudo certo com vocês?

Vim falar hoje sobre um livro que despertou diversas emoções (a começar pelo susto quando soube a quantidade de páginas que ele tinha, AHAHAHAHAH) em mim: Uma Vida Pequena da Hanya Yanagihara, lançado e cedido em parceria pela Editora Record.
O livro contará como item 1 do Desafio Literário, que está super paradinho mas vamos movimentar de novo, um livro com mais de 500 páginas.

Candidato ao Prêmio Pulitzer de Literatura de 2016, Uma vida pequena é um dos livros mais surpreendentes, desafiadores, perturbadores e profundamente emocionantes das últimas décadas
Quando quatro amigos de uma pequena faculdade de Massachusetts se mudam para Nova York em busca de uma vida melhor, eles se veem falidos, sem rumo e amparados apenas por sua amizade e por suas ambições. Willem, lindo e generoso, é aspirante a ator; JB, nascido no Brooklyn, é um pintor perspicaz e às vezes cruel que busca de todas as formas ingressar no mundo das artes; Malcolm é um arquiteto frustrado que trabalha numa empresa de renome; e o solitário, brilhante e enigmático Jude funciona como o centro gravitacional do grupo. Com o tempo, o relacionamento deles se aprofunda e se anuvia, matizado pelo vício, pelo sucesso e pelo orgulho. No entanto, seu maior desafio, como cada um passa a perceber, é o próprio Jude, um litigante extremamente talentoso na meia-idade, porém, ao mesmo tempo, um homem cada vez mais atormentado, a mente e o corpo marcados pelas cicatrizes de uma infância misteriosa, e assombrado pelo que teme ser um trauma tão intenso que não só não será capaz de superar mas que vai definir sua vida para sempre.
Com uma prosa magnífica e genial, Hanya Yanagihara criou um hino trágico e transcendental do amor fraterno, uma representação magistral da dor física e psicológica, e uma análise da verdade nua e crua que permeia a tirania da memória e os limites da resistência humana.


Antes de contar o que achei do livro preciso esclarecer que diferente do que aconteceu com os últimos livros que li essa obra não me conquistou pela sinopse então se você, assim como eu, não se sentiu cutucado com esse primeiro contato C A L M A (!), ainda há uma chance para vocês, ahahah. E então é aquele momento em que você me pergunta "ah, mas se você não gostou da sinopse por que escolheu lê-lo?", bom, 50% da "culpa" foi da Ana (Estagiária lá da Editora Record, que fez a maior propaganda do livro e só contou a quantidade de páginas depois que eu já tinha feito o pedido. #Beijo,Ana) e os 50% decisivos foram de minha sede de desafios, esse livro tem impressionantes 784 páginas e eu quis saber como seria a experiência de ler um romance assim tão grande. E aqui estou eu!

O livro, de acordo com a sinopse, se propõe a contar a história de 4 amigos que são unidos única e exclusivamente pela sua afeição um pelo outro e pela perspectiva assustadora do que será de suas vidas depois da faculdade, mas essa sinopse está totalmente equivocada. Eu até gostaria de saber se quem escreveu/traduziu essa sinopse leu mesmo o livro, sério, isso não diz nem metade do que você precisa estar pronto para encontrar, então corta pra mim que vou fazer um resuminho sincero e sem spoilers antes de dizer o que achei.

A primeira coisa que precisam saber: O livro conta, predominantemente a história de Jude, um agora adulto misterioso que conheceu seus três melhores amigos Willem, Malcon e JB durante sua adolescência, no período em que fazia faculdade de Direito em Massachusetts. Cada um desses têm uma profissão diferente do primeiro (Willem é ator, Malcon é arquiteto e JB é pintor) mas todos acabam conservando a proximidade e compartilhando seus anseios mesmo depois de se formarem pois buscam apoio um no outro para enfrentarem juntos as incertezas da vida adulta. O início do livro pode até atender ao que diz a sinopse porque realmente traz capítulos narrados sob o ponto de vista de cada um mas para por aí, de um ponto pra frente a história de Jude assume a direção e as vidas dos outros, com exceção da de Willem (que é mais próximo à Jude e também é destaque), tornam-se pano de fundo para a narrativa forte e angustiante que se segue.


"[...] De um lado está tudo o que ele conhece, e os ritmos de sua existência têm a regularidade e a banalidade das gotas que caem em um intervalo regular de uma torneira com defeito, onde vive sozinho, mas em segurança, e é protegido de tudo que possa machucá-lo. Do outro lado há ondas, tumulto, tempestades, agitação: tudo que ele não pode controlar, tudo que é potencialmente terrível e cheio de êxtase, tudo o que passou sua vida adulta inteira tentando evitar, tudo cuja ausência priva sua vida de cor. Dentro dele, a criatura hesita, apoiada nas pernas de trás, dando patadas no ar como se buscasse respostas."


Uma Vida Pequena não é uma leitura doce  ou fofa, como pode parecer ao dizer que conta a história de quatro amigos é, antes disso, uma narrativa angustiante e íntima. Não são só temas difíceis abordados em sua profundidade, são também suas consequências vistas e sentidas por dentro, uma viagem reflexiva junto ao - não declarado - protagonista que nos faz sentir vontade de parar de ler; de deixar pra lá a leitura ao mesmo tempo em que precisamos saber o que acontece depois. A autora construiu tão bem sua história que não precisa se limitar ao tempo cronológico, aos formatos de narrativas ou aos diálogos reais para conquistar o leitor; o tempo todo somos surpreendidos por flashbacks, capítulos em formato de "carta" ou em pontos de vista diferentes e diálogos imaginários além, é claro, dos saltos temporais que são compensados com mais flashbacks. 

Tudo isso é feito - pasmem! - sem confundir o leitor ou permitir que a narrativa torne-se monótona. Li em algum lugar que não é uma leitura cansativa, de fato, não é uma história previsível ou clichê e isso torna a leitura um pouco mais fluída mas o tamanho do livro cansa um pouco sim. A leitura é densa mas, relativamente, rápida e eu me surpreendi várias vezes com a quantidade de páginas que avançava em tão pouco tempo.

"Não era um milagre ser adotado aos trinta anos, encontrar pessoas que o amavam tanto que queriam reivindicá-lo para si? Não era um milagre ter sobrevivido ao insobrevivível? Não era a amizade um milagre em si, o encontro com outra pessoa que fazia o mundo solitário de certa forma menos solitário? Não era aquela casa, aquela beleza, aquele conforto, aquela vida, um milagre? Quem poderia então culpá-lo por desejar mais um, por desejar que, apesar de saber da improbabilidade, apesar da biologia, e do tempo, e da história, pudessem ser a exceção, que aquilo ocorrido com outras pessoas com os mesmos tipos de problemas de Jude não aconteceriam a ele, que apesar de Jude já ter superado tanta coisa, ainda pudesse superar só mais uma?"


O livro como um todo me perturbou durante todo o período de leitura, de vez em quando parava o que estava fazendo para pensar sobre as ações das personagens e tive uns três pesadelos nesse mesmo período. Não que seja uma leitura assustadora mas é psicologicamente perturbador acompanhar experiências e emoções que fazem alguém chegar ao limite do suicídio, por exemplo. Não deixaria de ler o livro outra vez no entanto, a linguagem que a autora utiliza é simples e intercala momentos enormes de reflexão com diálogos horas dramáticos, horas divertidos,

Com relação à diagramação achei um pouco desconfortável o tamanho estreito das margens, além da capa que achei um tanto estranha de início mas depois da leitura até captei sua profundidade, AHAHAHA. Uma das minhas chateações agora e não ter com quem comentar esse livro maravilhosos porque ainda não encontrei quem se dispusesse a ler essas 784 pra chorar no final e comentar comigo.


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6 Comentários

  1. Olá, tudo bem?
    Gostei da resenha. Esta obra parece ser bem interessante e perturbadora mesmo. Porém, não conhecia nem ela nem o autor. Vou procurar me informar melhor.

    PROMOÇÃO DOIS ANOS DO BLOG BIO-LIVROS

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    1. Oi, Rodrigo. Tudo bem?
      O livro é mesmo muito bom, vale a pena.
      Dá uma olhadinha sim.

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  2. Oi, Dri!
    Foi esse livro que você comentou no facebook? Se for, bem... eu acho que passo hahhahahah Nem é pelo número de páginas, mas pela história. Não faz muito meu estilo.
    Beijos
    Balaio de Babados
    Participe da promoção de aniversário do blog Crônica sem Eira

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    1. Oi, Lu!
      Foi esse sim... Que pena que você não gostou da premissa. Fica pra próxima! :)

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  3. Olá,
    Eu acho que esse livro não é para mim, rs.
    Não faz meu gênero, sabe? Como a Luiza disse, eu não tenho problemas com o número de páginas (até porque leio Outlander com quase 1.000, rs), mas é o tema mesmo que me impede, rs.
    Beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com.br/

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    1. Oi, Alê. Tudo bem?
      Também pensava assim mas o livro acabou me surpreendendo para o bem.
      Aaaaah, vou começar Outlander em breve <3 <3

      Um beijo!

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