Olá, como vão vocês?

Hoje venho aqui para contar o que eu achei do livro Nunca o Nome do Menino, do autor Estevão Azevedo, e que nos foi cedido em parceria com o Grupo Editorial Record.


Em Nunca o nome do menino, a personagem principal, uma mulher, nos relata os dias de sua vida que se seguiram ao momento em que ela descobre seu status de personagem de uma ficção que não aprecia e cujo autor despreza. Em seu labirinto literário, dois tempos distantes de sua vida nos são narrados, duas linhas que se estendem da primeira à última página como serpentes ávidas por devorar o próprio rabo e criar uma narrativa de vertigem, repleta de espelhamentos, ciclos e sentimentos.
Ela nos conta os fatos de sua vida passada – sua infância, o amor de um menino, o convívio com o próprio corpo em transformação, a relação com os pais – que a conduziriam a tal descoberta. O que fazer diante de tão angustiante possibilidade?
À personagem deste livro resta amputar o dedo mínimo da mão esquerda, imaginando com isso arrancar pelo menos algumas letras das palavras que a descrevem. Ao leitor, cabe percorrer as páginas de lirismo e delicadeza do primeiro romance de Estevão Azevedo e aceitar o desafio de pensar que sua própria vida pode também ser uma ficção.


Nunca o Nome do Menino foi o primeiro livro publicado do escritor de 38 anos, e devo dizer que não poderia haver melhor “cartão de visita”, tanto que lhe rendeu um lugar na final do Prêmio São Paulo de Literatura de 2009, porém só veio a ser vencedor seis anos depois com a obra Tempo de Espalhar Pedras.

Em NUNCA O NOME DO MENINO, somos apresentados a uma protagonista que descobre ser uma personagem de um livro e por isso inicia uma série de revoltas contra o seu criador. Em meio a tanto desespero e busca por atenção, ela nos conta em primeira pessoa tudo o que está na memória, focando principalmente em sua infância que foi quando conheceu um menino, quem viria se tornar o primeiro amor e peça-chave na sua história.
Quando criança, a nossa protagonista viveu com a mãe em uma vizinhança aparentemente humilde e foi onde ela conheceu o menino. No primeiro contato nenhum dos dois imaginaria que iriam estudar na mesma classe e a partir dali uma grande amizade e um grande amor iriam ser construídos.

“O menino gostava de falar, sem interrupção [...]. Quando ele passava a falar desse jeito, eu não o interrompia, quedava-me paralisada, escutando-o, tentando seguir os fios do lindo tecido que ele tecia.”


Conseguimos perceber o tanto que ela era feliz e o quanto ela vive na amargura agora por meio de seus flashbacks e devaneios da época de infância e adolescência, tempos que nunca irão voltar. Os personagens são poucos mas todos bem descritos e de valorosa relevância para a história, prova disso é que apenas dois têm nomes próprios e quem lê nem sente falta disso. Destaque para a escrita de Estevão, que nos faz sentir tanto a angústia e desespero da personagem que nos conta a história que acho que li o livro todo franzindo a testa.

A capa foi o que me chamou atenção à primeira vista. Não há mistério maior que a junção do preto com o branco e nesse caso, combinou perfeitamente com o título. Me agradou também o fato de o livro não ser dividido em capítulos e o texto ser todo centralizado ao longo das páginas.

Em pouco menos de 200 páginas, Nunca o Nome do Menino conseguiu passar toda profundidade que se propôs desde a primeira frase. Estevão Azevedo é para mim, sem dúvidas, a melhor descoberta do ano e merece todo o reconhecimento por nos orgulhar da nossa literatura.

Classificação:


Adicione à sua estante: Skoob


Acompanhe o Grupo Editorial Record nas redes: 


Gostaram da premissa? Leriam o livro?
Comentem aqui o que acharam!


4 Comentários

  1. Vim atraída pelo no do livro, achei a história super criativa e fiquei com vontade de conhecer. Primeira vez que vejo um livro com esse tipo de enredo.
    Nuvem de Novembro

    ResponderExcluir
  2. Olá,
    Desconhecia o autor e sua obra e, ao contrário de você não fui atraída pela capa, mas sim por sua premissa.
    Confesso que achei intrigante a forma como a obra se apresenta com texto centralizado e sem divisão de capítulos e, não sei se isso é bom pois sempre que preciso fazer uma pausa, faço-a nessa divisão (tenho TOC em relação a isso kkk).

    https://leitoradescontrolada.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  3. Olá tudo bem??
    Adorei a resenha, mas nunca tinha ouvido falar desse livro e sinceramente ele não me chama a atenção para ler, vou passar essa dica de leitura!!
    Beijus
    www.bibliotecaempoeirada.com.br

    ResponderExcluir

Ao final do comentário deixe o seu link, se tiver, teremos o maior prazer em retribuir a visita e o carinho ❤
Se você nao tem uma conta no Google, pode comentar usando "Nome/URL".
P.S. Comentários genéricos não serão retribuídos.