Imagem meramente ilustrativa, cês tão ligados que o "black" daí não é de preto, né? Tudo bem então! Toca o trem!

Oi, gente. Tudo bem com vocês?
Vocês tem assistido muitas séries ultimamente?

Hoje eu estou aqui pra falar sobre Orange is The New Black (de novo? de novo! eu amo a série, então senta lá, ahahahah). Acontece que muita coisa rolou desde que falei da série por aqui pela última vez; pra começar por saudade comecei a pesquisar mais detalhes sobre a série enquanto ainda  durava o hiatus (por isso resolvi fazer o post, e ele estava nos rascunhos desde então), viciei Lara em OITNB e a season 4 já foi lançada - eu assisti em 3 dias #TodosChoram -. Segura essa marimba, monamu!



Então, se você ainda não assiste à série vai assistir e depois volta aqui - ou continua mesmo assim se não se importa com pequenos spoilers (sugiro que leia o primeiro post onde apresento a série)- e conheça os 5 principais acertos que fazem da história um sucesso!
Se já assiste vem comigo também e já mata, de novo, um pouco da saudade das divas da Penitenciária de Litchfield.

ATENÇÃO, ESSE POST PODE CONTER PEQUENOS SPOILERS A RESPEITO DE ACONTECIMENTOS E CENAS DA SÉRIE. CONTINUE A LEITURA POR SUA CONTA.

1. Há redenção em Litchfield

Acredito que não há melhor exemplo de redenção na série do que a vivida pela personagem interpretada pela atriz Taryn Manning. Doggett, pra quem ainda não assistiu aos episódios, é uma fanática religiosa que abomina qualquer tipo de relação homossexual e por isso logo no início da série é totalmente implicante, principalmente com o casal "principal" Vauseman (Alex Vause e Piper Chapman).
No entanto, com o passar das temporadas, a transformação de Tiffany Doggett, a nossa Pennsatucky, vai muito além da transformação física. A coisa já começa a mudar de figura quando conhecemos a história dela que, apesar de não justificar suas atitudes, explica muito dos motivos de ela agir como age e nos deixa - talvez - um pouco menos irritados com ela. Na terceira temporada começamos a conhecê-la ainda melhor e ela se aproxima de Carrie Black (sim, esse é o nome da Big Boo!), isso de início já é chocante por ser a Big Boo o oposto das pessoas com quem ela mantinha contato e ainda mais quando os episódios vão passando e a ligação entre elas aumenta ao ponto de exalarem empatia. Quando enfrenta uma situação super complicada Doggett conta com a ajuda da recém descoberta amiga e  acaba mostrando, nesse momento mais do que em qualquer outro, suas principais mudanças com relação à Pennsatucky do começo da série, ela não é mais "a bitch" e sim, gente: no final a gente está super apegado a ela.
Então o que podemos tirar de lição? As pessoas cometem erros sim, todas elas, mas elas podem mudar!


2. Verossimilhança da personagem Taystee

Uma personagem que, em minha opinião, personifica um dos dramas reais mais complicados vividos pelas ex-presidiárias é Tasha Jefferson, a querida Taystee. Pra começar a história da Taystee é bem complicada e trágica, nascer e crescer onde foi criada contribuiu para a formação de sua personalidade forte mas sem fazer com que ela perdesse o seu bom humor (Durante a série ela faz diversas referências a livros, que leu durante todo o tempo em que está presa, e demonstra gostar e conhecê-los muito - insira aqui um adjetivo pra essa linda).
A sua verossimilhança, no entanto, explica-se pelo fato de ela ser a detenta que, aparentemente, mais se preocupa com a sua carreira profissional quando sair de lá. Não ter a família para apoiá-la e o fato de não ter mais experiências profissionais do que atendente de lanchonete e "bibliotecária" na Penitenciária parecem preocupá-la mais do que qualquer outra coisa.
Uma situação muito real enfrentada pelas ex-presidiárias que, ao saírem da cadeia, não encontram apoio ou trabalho e muitas vezes acabam voltando para a prisão.


3. Temática Transgênero com Sophia

Debater sobre o uso dos banheiros públicos femininos por travestis e transgêneros já levanta, por si só,  questões polêmicas, imagine levar isso para um ambiente maior como o presídio?
Sophia Burset é uma presidiária transgênero que enfrenta, além do preconceito, vários problemas na prisão. O mais angustiante deles decorre da negação da dose certa de hormônios que ela precisa tomar, fazendo com que ela chegue a fazer inúmeras loucuras para conseguir os comprimidos. O acerto da série está justamente na inserção desse ponto, ela nos mostra, através de Sophia os desafios que as pessoas transgêneros precisam enfrentar para adquirir algo que deveria, sem necessidade de reivindicações, fazer parte dos direitos destes. Em um ambiente menor mas que podemos ler como reflexo da sociedade. Mais uma vez Orange acerta na abordagem.


4. As pessoas não são os crimes que cometeram

Em algum momento da série essa frase é dita. Não lembrar disso durante os episódios é impossível pois ao contarem a história de cada personagem percebemos que em alguns casos ali as detentas foram presas por crimes que não foram cometidos intencionalmente e acabam se condenando ou sendo condenada por outros, ou ainda, dentro da prisão se arrependem de seus erros. Nem preciso dizer que é ainda mais importante levar isso pra vida, não é? Orange mostra a individualidade de cada um, mostrando que ao cometer um erro os indivíduos não passam a ser aquele erro, ele continua tendo suas qualidades e defeitos. As pessoas não são os erros que cometem.


5. A animalização do Sistema Penitenciário

A quarta temporada, além de trazer muitas lágrimas, veio para explanar, ainda mais, que a música de abertura da série (You've Got Time - Regina Spektor) ao citar os "animais" fala menos sobre as detentas do que sobre qualquer outro (o episódio 12, de nome The Animals está aí para provar isso). Além da série ter tocado muito mais durante a quarta temporada em problemas das prisões reais foi claro o crescimento desta já na constituição da personalidade do grupo de guardas que atuou na temporada; sádicos, insensíveis e não-treinados compunham a equipe do Piscatella e tiraram os espectadores do sério, representando muito bem a desumanização e a omissão com que são tratadas as detentas na trama e na vida real. Vi muitas pessoas dizendo que não gostaram da temporada, que ela foi fraca e estava perdida, concordo que tenha se perdido um pouco do que ela vinha trazendo antes (nessa temporada Piper foi quase figurante), mas mais pela quantidade de temas - importantíssimos - abordados do que por qualquer falhas na constituição da história. Já sobre ser fraca eu preciso discordar totalmente, pra mim foi a temporada mais forte de todas, a mais dramática. De longe a que mais fez jus ao cenário que tenta representar, na categoria comédia talvez essa temporada não ganhasse outro prêmio mas levaria o troféu de Drama merecidamente pra casa.



Além de todos esses pontos citados a série fala, ainda, sobre a importância da descriminalização do aborto (todo mundo deveria ver o diálogo que Doggett tem com a Big Boo na S03E01), sobre as dificuldades que as detentas grávidas enfrentam na prisão, sobre a corrupção dentro do sistema carcerário e temas ainda mais amplos como o racismo, machismo e muitos outros então, NÃO, Orange não é uma série sobre um romance lésbico, como já vi falarem por aí, ela é muito mais do que isso.


Quem mais aí já quer ver a quinta temporada? Vamos fazer campanha?
Coloque o seu nome aqui e vamos fazer uma abaixo-assinado para Netflix liberar mais cedo ano que vem, AHAHAHAHAH!


4 Comentários

  1. Meu Deus que post maravilhoso!!!!
    Ta tudo perfeito no que você escreveu, sem tirar nem por. Minha relação de amor, lágrimas e raiva com a 4° temporada foi turbulenta, e eu nunca xinguei tanto quanto nessa temporada. Teve só uma coisa que me deixou receosa que tem a ver com uma certa SPOILER

    romantização de estupro, mas, entretanto, todavia, não sabemos como vai ser na próxima temporada, que rumo vai tomar, então vou segurar minha onda de problematizadora. Eu to muito impressionada com a Pensa, eu ODIAVA ela, mas eu mudei meu conceito completamente.
    Viciei meu namorado tb, assisti a temporada 2 vezes por causa dele, e quando chegamos naquele ultimo episódio ficamos uma hora debatendo o que ia acontecer. tipo, O QUE TA ACONTECENDO, COMO ASSIM????
    Amei viu?
    Beijos

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    Respostas
    1. Oi, Babi!
      Ahahaha, que bom que gostou!

      Também ficava um pouco chateada durante a temporada e o final foi arrasador, né? É aquela coisa, teve pouco de comédia na season 4.

      SPOILER

      Sobre o estupro acho que pela própria história que da Doggett que é contada a gente consegue entender mais ou menos pq ela meio que perdoa ele. A relação dela com os outros parceiros é muito conturbada, quando não é de exploração pura é regada à tanta droga que a gente nem sabe se são os efeitos da droga ou se o(s?) cara(s?) é(são?) idiota(?) mesmo.

      Também ficava com muita raiva dela no começo mas depois tô só <3

      AHAHAHHAHAHA, melhor coisa viciar os outros pra não problematizar e sofrer sozinha, imagina eu no fim dessa 4ª temporada sem Lara pra chorar comigo?! AHAHAHHAHA

      <3 <3

      Um beijo!

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  2. Ooi! Olha, vou ser honesta mesmo lendo com spoiler entendi nada porque eu nunca vi nem um trailer dessa série :\
    Nunca tive muita curiosidade, mesmo sabendo do quanto ela é adorada. Quem sabe um dia.
    Beijos
    Estilhaçando LivrosCantar em Verso

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    Respostas
    1. Oi, Sil!
      Que pena!
      Lendo seu comentário percebi que não contextualizei o ambiente geral da série, não é? Parti do pressuposto que todos tinham visto a primeira postagem, AHAHAHAHAH.

      De qualquer forma se um dia estiver de bobeira vale o tempo, ela é bem engraçada :)

      Um beijo!

      Excluir

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